sábado, 17 de julho de 2010

35 anos da neve em Curitiba


Apesar do frio intenso dos últimos dias, não há condições para o fenômeno neste ano

Publicado em 17/07/2010 | Vinicius Boreki- - Gazeta do Povo

Há exatos 35 anos, o curitibano deixou de reclamar do frio para comemorar. Uma coincidência climática somou temperatura abaixo dos 2ºC abaixo de zero e a fina chuva, gerando um dos fenômenos mais esperados por parte da po­­pulação: a neve. “O curitibano acordou mais cedo ontem e entre surpreso e extasiado pôde apreciar um espetáculo que em intensidade igual havia ocorrido apenas em 31 de julho de 1928”, afirmou a manchete desta Gazeta do Povo, em 18 de julho, um dia após a neve. Um dos principais pontos de saída de Curitiba, a Rodoferroviária in­­verteu sua lógica e passou a receber passageiros de cidades próximas para ver o incomum acontecimento.

O frio de três décadas atrás, porém, está longe de se repetir nesse aniversário, e a chance de ver neve em qualquer região do Paraná está descartada pelo Simepar. A atual frente fria que incomoda os curitibanos não tem a força suficiente para proporcionar neve, que naquele 17 de julho causou congestionamento do sistema telefônico da capital e emperrou muitos carros.

Meteorologista do Simepar, Marcelo Brauer afirma que não há nada de extraordinário nas temperaturas registradas nesta semana. “A diferença é que ha­­via uma sequência de calor, e as pessoas não esperavam a volta do frio. Curitiba, por exemplo, já registrou -2,5ºC em 2000”, relata. Uma série de fatores precisam acontecer simultaneamente para a neve cair: temperatura pelo menos abaixo dos -2ºC, muita umidade e uma chuva constante e fina, como a que caiu ontem durante todo o dia em Curitiba. “Se o frio da última quinta-feira fosse um pouco mais intenso e se somasse com a precipitação de ontem, a possibilidade de neve existiria”, explica Brauer.

No Rio Grande do Sul, segundo o meteorologista, a neve é mais comum em razão da umidade mais elevada e das temperaturas mais baixas. “A neve só volta em Curitiba por um lance de sorte, porque as características da cidade diferem das cidades localizadas na serra gaúcha, onde se vê o fenômeno com frequência”, afirma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS                Mário de Andrade Contei meus anos e descobri que terei menos tempo  para viver daqui  p...