Chacina diária
José Aldinam / Gazeta do Povo
Dados do Mapa do Crime revelam que 1.795 pessoas foram assassinadas no primeiro semestre desse ano. Uma alta de 20% em relação a igual período de 2009.
Alarmantes, os dados preocupam até mesmo os especialistas em segurança. “Esses números mostram que a situação saiu do controle do poder público”, afirma o sociólogo e ex-secretário da Segurança Pública de Minas Gerais, Luís Flávio Sapori. Segundo ele, o governo tem que tomar medidas imediatas para combater o problema em curto prazo. Para Sapori, o foco da polícia deve ser a repressão ao uso de arma de fogo, com fiscalização intensiva.
Como a maior parte dos homicídios no Paraná tem relação direta e indireta com o tráfico de drogas, segundo a polícia, é fundamental que este crime seja reprimido com mais rigor. Além disso, o especialista cita mais dois fatores essenciais para frear a crescente taxa de homicídios: aumento do efetivo policial e o fim da impunidade. “É preciso que os homicidas sejam presos imediatamente. Isso manda uma mensagem aos criminosos e o homicídio tende a cair”, explica.
Falta de efetivo
Um dos principais problemas da segurança pública no Paraná é a falta de efetivo das polícias. Fato que já foi até reconhecido pelo próprio secretário da Segurança, coronel Aramis Linhares Serpa. A reportagem descobriu que há mais de cem inquéritos parados no 13.º Distrito Policial de Curitiba por causa falta de pessoal, fato que demonstra o descaso com a investigação.
A defasagem nas equipes contribui de forma considerável para o avanço da criminalidade, segundo Sapori. “Na medida em que há déficit na polícia, o nível de impunidade fica alto no Paraná. Isso estimula o crescimento da violência”, ressalta. Na avaliação do ex-secretário mineiro, o Paraná deveria seguir os exemplos de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, estados que reforçaram a atenção nas questões citadas por ele e que conseguiram reduzir as taxas de homicídio.
Para o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dálio Zippin, o sucateamento na área de perícia da polícia é uma questão grave que deveria ser revista pelo governo do estado com prioridade ao lado do aumento do efetivo. “Tem gente capaz, mas em pouca quantidade e há falta de material e equipamento na perícia”, afirma.
Quando os números de homicídios são comparados entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, o índice reduz em 31,6% no estado. Em Curitiba e na região metropolitana, a queda foi de 18,2%. Procurado pela reportagem, o secretário Serpa informou, via de assessoria de imprensa, que não concederia entrevistas sobre os dados.
Patrimônio
O novo relatório da Sesp mostra que no primeiro semestre deste ano houve queda no total de crimes contra o patrimônio em relação ao mesmo período de 2009. Enquanto 82.159 casos como roubos de carro, assaltos a residências, estelionatos, furtos e depredações foram registrados até junho do ano passado em todo o Paraná, o total na primeira metade de 2010 chega a 77.234, uma queda de 6%. Curitiba e região metropolitana concentram mais da metade (53,9%) dos registros do estado.
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